Depois de Timothy Ray Brown, chamado , o “paciente de Berlim”, ter sido curado há 12 anos da infecção por HIV, surge o “paciente de Londres”, o 2º caso de provável sucesso de soropositivo que parece ter vencido a infecção, desde a epidemia global de Aids.

Há muitos anos cientistas e pesquisadores tentam reproduzir o sucesso da cura de Brown, mas os métodos são perigosos e já falharam em outros infectados por HIV. A notícia que pode revolucionar o tratamento foi divulgada neste início de março pela revista científica norte-americana Nature.

O “paciente de Londres, sem outra identificação, recebeu há três anos células-tronco da medula óssea de um doador com uma mutação genética rara que resiste à infecção do HIV”. O uso dos remédios retrovirais foi interrompido e cerca de 18 meses depois, os exames não mostram a infecção.

“Não existe vírus ali que consigamos medir. Não conseguimos detectar nada”, disse Ravindra Gupta à Revista Mature, que é professor e biólogo especializado em HIV e que coliderou a equipe de médicos que trata o paciente em questão.

A cura de Timothy Ray Brown – Timothy foi diagnosticado positivo para o HIV em 1995, um ano antes do surgimento do coquetel antirretroviral, quando ainda vivia em Berlim, na Alemanha.

Em 2006, foi diagnosticado com outra doença, em nada relacionada com o HIV: leucemia mieloide aguda, enquanto ainda morava em Berlim. A partir dessa doença, ele foi submetido a um tratamento e foi curado da Aids.

“Remissão” – O prof. Ravindra Gupta afirma que ainda não é possível dizer que o paciente está curado. Segundo ele, “isso só pode ser demonstrado se o sangue do paciente permanecer livre de HIV por mais tempo”. No estudo, ele descreveu o paciente como “funcionalmente curado” e “em remissão”.

Casos semelhantes – A Revista Nature informa que, até agora, o organismo do paciente está respondendo de forma semelhante ao de Timothy Brown. Diagnosticado com HIV em 2003, o “paciente de Londres” desenvolveu um tipo de câncer no sangue que não respondia à quimioterapia ― assim como o “paciente de Berlin”. Ambos necessitaram de um transplante, no qual células foram destruídas e substituídas por células-tronco transplantadas de um doador saudável.

Mas, ainda segundo a Nature, o novo paciente recebeu um tratamento um pouco mais leve que o feito anteriormente, para se adaptar melhor ao transplante. Junto com a quimioterapia, foi aplicada um outro tipo de droga que atinge células cancerosas. Enquanto Brown recebeu radioterapia em todo o corpo, além de um medicamento de quimioterapia. O caso está sendo considerado como “remissão de longo termo” e ainda não há garantia absoluta de que o vírus não irá retornar, enquanto outros pesquisadores classificam o fato como “cura”.