Com a proximidade do Carnaval, o cirurgião-dentista ganha papel de destaque na conscientização de seus pacientes, principalmente em relação a doenças transmissíveis. Desde um beijo até contatos sexuais, em todas as idades, é importante que a população tenha noção dos riscos a que está exposta. E o CD é o profissional que está capacitado a transmitir estas informações à população, mesmo porque a boca é a entrada da saúde mas também de doenças.
Nunca é demais lembrar que o HPV está presente em todas as faixas etárias da sociedade: jovens, adultos e também idosos – devido à mudança de hábitos e a costumes atuais mais liberais. Os idosos de hoje têm vida mais ativa, inclusive sexual. Eles viajam mais, namoram mais, beijam mais e inclusive têm mais contatos ou relações sexuais. O jovem de hoje também passa a ter contatos sexuais mais cedo. Um prato cheio para a contaminação de vírus como o HPV, que mesmo com campanhas e vacinação continua ativo e fazendo vítimas: o câncer bucal mata quase 6 mil pessoas por ano no Brasil e o HPV é pode causar não só câncer oral como também câncer do colo do útero, por contatos sexuais, em todas as idades, é bom lembrar.
Pesquisas apontam, relata a estomatologista Fabiana Quaglio, que um terço do pacientes tem menos de 40 anos, e entre os jovens adultos com tumores na cavidade oral, a presença do vírus é de 32%.
“A média etária de pessoas com câncer nessas áreas tem caído. Hoje em dia, atinge cerca de 30 a 40% de pessoas que não são tabagistas nem etilistas, e são mais jovens”, afirma o oncologista Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo.
Mais rápido – Outro fator de risco tem sido considerado pelos pesquisadores: o papilloma vírus, tem a capacidade de desenvolver um câncer em menos tempo. Se há 20 anos os registros de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente entre pessoas acima dos 50 anos, atualmente, um dado chama a atenção dos oncologistas – adultos até 40 anos têm apresentados tumores malignos na cavidade oral.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os cânceres de cavidade oral e orofaríngeo estão entre os 10 tipos de maior incidência em homens brasileiros. E, mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam suas principais causas, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor – entre 15 e 30 anos de consumo.
Ou seja, com a queda do consumo do tabaco, esperava-se diminuir a incidência e a mortalidade do câncer, mas houve uma mudança de perfil. Está caindo o número de cânceres relacionados ao tabaco, devido às campanhas de controle, mas estão aumentando os casos relacionados ao HPV.
Pesquisadores apontam que até 2030, o número de casos relacionados ao vírus deve superar os casos ligados ao tabaco nos Estados Unidos.
“Um estudo atual, feito com orientação da bióloga e geneticista do A.C. Camargo e da  Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, aponta que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%”, afirma a estomatologista Fabiana Quaglio.