SER DENTISTA EM PORTUGAL – Parte 1

por | abr 3, 2018 | Artigos | 0 Comentários

O Jornal Odonto publica a partir de hoje uma série de artigos feitos especialmente pelo dentista brasileiro Cassiano Scapini, radicado em Portugal há 28 anos. Convidado pelo Instituto Pedro Martinelli (IPM), Scapini vai tecer esta história entrelaçada dos cirurgiões-dentistas daqui que foram experimentar o que é viver a profissão de médico dentista além mar. Importante relato para os dentistas brasileiros conhecerem os dados do mercado profissional em Portugal. Acompanhe e boa leitura!

Os editores

Há 20 anos Portugal reconhecia títulos de 614 dentistas brasileiros

O ano de 2018 marca o vigésimo aniversário da lei portuguesa que reconheceu os títulos profissionais de 614 cirurgiões-dentistas brasileiros que já residiam em Portugal em data anterior a 1994.

Nestes 20 anos, Brasil e Portugal alternaram crises e melhores momentos. Atualmente existe um maior interesse dos brasileiros em Portugal. E, naturalmente, os cirurgiões-dentistas também se incluem nesta preferência.

Portugal mudou muito. E melhorou em várias áreas. Mas no que diz respeito à Odontologia, essa mudança foi ainda maior.

O sinônimo para Odontologia em Portugal é Medicina Dentária. E os seus profissionais são intitulados médicos dentistas. O curso acadêmico era vinculado à Faculdade de Medicina até 1978.

A Medicina Dentária portuguesa hoje

Se até os anos 90 Portugal apresentava déficit no número de médicos dentistas e “importava” profissionais, hoje Portugal forma anualmente mais profissionais do que o mercado é capaz de absorver e passou a “exportar” médicos dentistas, sobretudo para países europeus.

Nos últimos 10 anos quase que duplicou o número de médicos dentistas portugueses emigrados e que não pretendem voltar ao país. No último ano aumentou em 19% o número desses médicos dentistas com a inscrição profissional suspensa. Esta é uma das conclusões dos Números da Ordem de Medicina Dentária (entidade congênere ao CFO).

Em 2007 eram 689 os profissionais emigrados. Em 2017, 1300. O surto emigratório acentuou-se com a grave crise econômica que se estendeu de 2007 até praticamente 2015. Hoje estes números são explicados pelo aumento do número de faculdades particulares e sobretudo com o aumento do número de vagas nas faculdades.

No último ano 660 médicos dentistas entraram no mercado de trabalho. 2017 fechou com 10.688 profissionais inscritos. A maior concentração de profissionais se dá na faixa etária de 25 a 45 anos, resultado deste crescimento recente no número de formados. As mulheres já representam 60% da profissão.

Das 39 nacionalidades representadas na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o Brasil tem papel de destaque com aproximadamente 450 colegas. Contudo, o número de italianos e espanhóis tem crescido enquanto o de brasileiros está diminuindo.

O número de estudantes estrangeiros nas faculdades portuguesas tem aumentado fortemente e já representa 20% do total de alunos.

Segundo Orlando Monteiro da Silva, presidente da OMD, “é fundamental adequar a formação em Medicina Dentária às necessidades reais do país para evitar a formação de Médicos Dentistas portugueses sem ter em conta o grau de empregabilidade que Portugal oferece”.

Cassiano Scapini

Cassiano Scapini

Diplomado em Odontologia pela UFRGS (1988), com pós-graduação na European School of Oral Reabilitation Implantology and Biomaterials – Esorib (Porto- Portugal). Tem diploma universitário em Implantologia e Cirurgia Maxilo-facial pela Université Paris XII – Val de Marne (Paris- França). É sóciop-gerente e diretor clínico da Reaprev Medicina Dentária, e criador e coordenador científico do Programa Sorriso Feliz-Portugal.